Zema critica conduta de ministros e afirma que STF virou 'balcão de negócios'
Candidato do Novo à Presidência citou indiretamente integrantes da Corte ao apontar supostos privilégios e defender o combate à impunidade.

Em sabatina realizada nesta terça-feira (25 de agosto de 2026), o candidato do partido Novo à Presidência da República e ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, declarou que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm utilizado a Corte como um "balcão de negócios" voltado a interesses particulares.
Ao responder sobre uma fala anterior na qual afirmou que haveria "pelo menos 3 frutas podres no STF que precisam ser eliminadas", Zema evitou citar nomes diretamente, mas sustentou que a população acompanha o que ocorre no tribunal. "Temos que lembrar que tem joio e trigo no Supremo. Tem gente lá em quem acho que a maioria dos brasileiros confia e tem gente que tem usado o Supremo para fazer negócios. Aquilo ali se transformou para alguns ministros em um balcão de negócios", afirmou durante a sabatina promovida pelo Valor Econômico, O Globo e rádio CBN.
Durante a entrevista, o candidato mencionou o que chamou de "milagres" atribuídos a integrantes da Corte. "Não sei se algum brasileiro conseguiu um contrato para o cônjuge de R$ 129 milhões. Não sei se um brasileiro comum como eu conseguiu uma transação do Tayayá de R$ 39 milhões. Se outro brasileiro, que faz congressos, consegue patrocínio de milhões do banqueiro bandido. Se tem jato à disposição para carona. Se é convidado para degustação do whisky mais caro do mundo", declarou Zema, complementando que em "qualquer país civilizado" tais condutas já teriam tornado a situação insustentável.
As declarações do ex-governador fizeram alusão a episódios recentes envolvendo magistrados do STF. O montante de R$ 129 milhões refere-se a um contrato de três anos firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. A menção de R$ 39 milhões diz respeito a aportes e transações no empreendimento imobiliário Tayayá Aqua Resort, em Ribeirão Claro (PR), que envolve o ministro Dias Toffoli e seus familiares. O evento de degustação de uísque ocorreu em abril de 2024, promovido e pago pelo fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, com a presença de cerca de 40 convidados, entre eles ministros da Corte e membros da Polícia Federal. Já a referência a patrocínios em eventos alude ao Fórum Jurídico de Lisboa, ligado a institutos associados ao ministro Gilmar Mendes, iniciativa que conta habitualmente com recursos de grandes companhias e bancos e não possui investigações oficiais.
Os ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes foram procurados por meio de suas assessorias institucionais para se manifestarem sobre as declarações, mas não emitiram resposta até a publicação.
Fonte: Poder360