Trabalhadores dos Correios deflagram greve nacional por tempo indeterminado
Paralisação foi aprovada após impasse sobre o plano de saúde; estatal acionou plano de contingência para amenizar impactos operacionais.

Os funcionários dos Correios iniciaram uma greve nacional por tempo indeterminado nesta sexta-feira (11), após o encerramento sem consenso das negociações da campanha salarial entre a direção da empresa e a Federação Interestadual dos Empregados dos Correios (Findect).
Impasse no plano de saúde e plano de contingência
O foco central da discordância entre as partes envolve propostas de alteração no plano de saúde dos empregados. As discussões não avançaram para um acordo, mesmo após sucessivas rodadas de diálogo e tentativas formais de mediação conduzidas pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Para tentar reduzir os transtornos nas entregas de encomendas e na assistência aos clientes, a estatal acionou um Plano de Continuidade de Negócios. A medida prevê o remanejamento interno de colaboradores e o reforço em setores prioritários das atividades operacionais.
Posição da estatal
Em nota oficial, a administração da empresa declarou que esteve disposta ao diálogo e que colocou na mesa de negociações uma proposta ampla:
“A empresa esteve empenhada na construção de uma solução negociada e apresentou uma proposta que contemplava 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente. Entre os pontos, estão o reajuste de 100% do INPC sobre salários e benefícios, com vigência a partir de 1º de agosto, e a manutenção da assistência à saúde dos empregados.”
Cenário de déficit financeiro
A paralisação dos trabalhadores ocorre em um momento de forte pressão orçamentária para a estatal. Os Correios fecharam o primeiro semestre de 2026 com um prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões, correspondendo a uma alta de 30,36% frente às perdas de R$ 4,26 bilhões apuradas em igual intervalo de 2025.
No recorte do segundo trimestre, o saldo negativo atingiu R$ 2,39 bilhões — resultado 5,5% menor do que o registrado no mesmo trimestre do ano anterior (R$ 2,53 bilhões) e uma desaceleração de 24,4% na comparação com o primeiro trimestre de 2026, quando o prejuízo havia ficado em R$ 3,16 bilhões.