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Revista reversa em grandes eventos gera debate sobre limites e eficácia da prevenção

Inspeção do público na saída de festivais busca recuperar celulares furtados, mas especialistas alertam para os impactos na percepção de segurança.

Por Redação •
Revista reversa em grandes eventos gera debate sobre limites e eficácia da prevenção

A adoção da chamada revista reversa — procedimento de inspeção do público na dispersão com o objetivo de recuperar aparelhos furtados — tem se tornado frequente em grandes eventos pelo país. A medida foi aplicada recentemente em celebrações de grande escala, como o Fortal de 2025, no Ceará, sob recomendação do Ministério Público estadual, além de encontros como o Bloco do Silva, em Belo Horizonte, e festivais no interior de Minas Gerais, levantando debates sobre seus reais reflexos operacionais.

Atuação tardia e sinalização de falha

Apesar de o furto de celulares figurar entre as principais preocupações na organização de megaeventos, especialistas apontam que intervir no encerramento da programação representa uma ação posterior à quebra do sistema protetivo. Embora a abordagem possa viabilizar a recuperação pontual de itens, ela atua quando o prejuízo ao participante já se consumou, transmitindo uma sensação de vulnerabilidade e improviso logístico.

“A revista na saída é, muitas vezes, a institucionalização da exceção. Um reconhecimento tácito de que o sistema de prevenção falhou e, por isso, é preciso tentar salvar a confiança nas bordas da operação.” — Camilo D’Dornellas

O impacto do acolhimento na entrada

O fluxo de acesso e a infraestrutura dos portões de entrada são apontados como os elos mais sensíveis da estratégia de prevenção. A maneira como a plateia é acolhida, orientada, revistada e direcionada dita o clima operacional e a percepção de controle ao longo de todo o circuito.

Quando filas e portarias funcionam sem rigor técnico ou sinalização clara, a impressão de desordem reverbera por toda a cadeia do evento, interferindo desde as bilheterias até a área dos palcos. Por isso, o gerenciamento eficiente da multidão nos momentos iniciais consolida-se como o fator decisivo para inibir a ação de grupos criminosos especializados.

Equilíbrio e inteligência operacional

A gestão de segurança em eventos de grande porte exige uma calibragem precisa entre capacidade de intervenção, escolhas logísticas e o dever de resguardar o participante sem submetê-lo a constrangimentos excessivos. Para especialistas do setor, o modelo repressivo ao término dos espetáculos não substitui medidas estruturantes:

  • Planejamento prévio e inteligência: mapeamento contínuo de riscos e integração tática com as forças de segurança pública;
  • Coordenação em solo: posicionamento estratégico de equipes capacitadas em pontos críticos de grande circulação;
  • Comunicação transparente: orientação ostensiva ao público sobre condutas de prevenção desde a aquisição dos ingressos.

A avaliação predominante no setor é de que a inspeção na saída deve se manter estritamente como um recurso de exceção, reforçando que a eficácia da proteção coletiva reside na antecipação e na garantia de uma experiência segura do início ao fim.

Fonte: Portal Eventos