Produção de veículos alcança melhor setembro em dez anos, aponta Anfavea
Com 268,3 mil unidades fabricadas, setor registra avanço na produção e nas vendas internas, apesar do recuo contínuo nas exportações.

Apesar de registrar um recuo de 1,1% em comparação a agosto, a produção de veículos no Brasil — categoria que engloba automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus — encerrou setembro com um avanço de 10,2% frente ao mesmo mês do ano anterior. Conforme balanço divulgado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foram fabricadas 268,3 mil unidades no período, consolidando o melhor resultado para um mês de setembro desde 2014.
Desempenho acumulado e vendas internas
No acumulado de janeiro a setembro, o setor automotivo acumula uma alta de 8,7% em relação a igual intervalo do ano passado, somando quase 2,2 milhões de unidades produzidas. A entidade alerta, contudo, que do acréscimo de 173 mil veículos na comparação anual, somente 50 mil unidades foram totalmente fabricadas no país. O restante ocorreu sob os regimes CKD e SKD, modelos que contemplam a montagem final em solo brasileiro.
O mercado interno também refletiu esse aquecimento. Setembro registrou o maior volume de emplacamentos para o mês em uma década, alcançando 281,4 mil unidades comercializadas, com impulso direto da venda de automóveis, que subiu 22,5% no ano.
“Esse mês de setembro foi o maior volume desde 2014. Há muito tempo a gente não tinha um mês de setembro tão bom”, ressaltou o presidente da Anfavea, Igor Calvet, durante entrevista coletiva.
Desafios no comércio exterior
Em contraste com a demanda interna, as exportações permanecem estagnadas há seis meses abaixo de 40 mil unidades mensais. Em setembro, os embarques somaram 39,8 mil veículos, com leve variação de 0,1% ante agosto e queda de 24,2% sobre setembro do ano anterior. O recuo é atribuído principalmente à crise econômica na Argentina e ao avanço de veículos fabricados na China e no México no mercado externo.
Paralelamente, a entrada de automóveis estrangeiros segue em ritmo acelerado, com salto de 34,9% nas importações em relação a setembro do ano anterior. Conforme pontuou a entidade, o aumento das compras externas ocorre simultaneamente à retração nas vendas internacionais brasileiras.
Revisão das projeções setoriais
Diante do aquecimento registrado ao longo dos últimos meses, a entidade atualizou as projeções de encerramento para o setor:
- Emplacamentos totais: expectativa de fechar com 3,1 milhões de autoveículos comercializados, avanço de 15,2% impulsionado por automóveis e comerciais leves;
- Produção nacional: estimativa de expansão elevada para 6,7%, alcançando mais de 2,8 milhões de unidades, o nível mais alto desde 2019;
- Pesados e exportações: projeção de queda de 6,5% no licenciamento de caminhões e ônibus, além de um tombo de 17,7% no volume de exportações.
Fonte: AgênciaBrasil