Polícia Civil deflagra operação contra esquema de apostas ilegais que movimentou R$ 700 milhões
Ação cumpre mandados de busca e bloqueio patrimonial no Distrito Federal e em cinco estados contra plataformas clandestinas de apostas esportivas.

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (5), uma operação para desarticular plataformas clandestinas de apostas esportivas com atuação no Distrito Federal e em outros cinco estados. A ofensiva policial cumpre mandados de busca e apreensão e ordens judiciais de bloqueio patrimonial, sem previsão de prisões. As identidades dos investigados não foram reveladas.
Estrutura financeira e empresas de fachada
Segundo a investigação, plataformas sem autorização do governo federal montaram uma complexa teia de empresas fictícias para fazer circular montantes que superam R$ 700 milhões.
“As apurações apontam o uso de dezenas de empresas de fachada para receber os pagamentos, concentrar os valores e redistribuí-los entre pessoas, empresas e instituições de pagamento, inclusive com conversão em criptoativos”, detalhou a corporação.
No Distrito Federal, as equipes cumpriram buscas em Sobradinho, Planaltina e Ceilândia. Em São Paulo, os agentes atuaram em áreas nobres da capital, como as avenidas Brigadeiro Faria Lima e Engenheiro Luís Carlos Berrini, além do bairro da Consolação. A ofensiva também mira alvos em Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte.
Envolvimento de fintech paulista
O inquérito também atinge a fintech paulista A55 Sociedade de Crédito, credenciada pelo Banco Central para atuar como sociedade de crédito direto. Conforme a apuração da Polícia Civil, dados da instituição e de empresas ligadas ao mesmo grupo indicam transações de aproximadamente R$ 1 bilhão, incluindo repasses diretos a investigados e quitação de despesas de plataformas ilegais. Em 30 de julho de 2026, o Banco Central já havia manifestado formalmente a intenção de cancelar a autorização de funcionamento da entidade.
Medidas cautelares e bloqueio bilionário
Determinada pelo Juízo das Garantias de Sobradinho, a decisão judicial impôs rígidas medidas econômicas e administrativas contra o grupo:
- Bloqueio patrimonial: indisponibilidade de ativos financeiros de 64 pessoas físicas e 120 empresas, até o teto de R$ 3,483 bilhões, com alcance sobre bens regulados pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM);
- Restrição cadastral: suspensão do CNPJ e dos registros comerciais de 100 empresas e empresários individuais;
- Impedimento financeiro: proibição de abertura de novas contas bancárias pelos alvos pelo período de 90 dias;
- Quebra de sigilo: quebra dos sigilos bancário e fiscal de 82 pessoas físicas e 83 pessoas jurídicas.
Fonte: Poder360