PF mira deputado Mário Frias e produtora de filme sobre Bolsonaro por suspeita de desvio de emendas
Deflagrada com apoio da CGU, a Operação Make Up cumpre 49 mandados autorizados pelo STF para apurar esquema com movimentação de centenas de milhões de reais.

O deputado federal e ator Mário Frias (PL-SP) e a empresária Karina Gama, responsável pela produtora do documentário biográfico sobre Jair Bolsonaro intitulado 'Dark Horse', foram alvos de mandados judiciais cumpridos pela Polícia Federal nesta quinta-feira (10). A investida, realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares repassadas por meio de termos de fomento.
Alcance interestadual e movimentações suspeitas
Denominada Operação Make Up, a ofensiva mobilizou agentes federais para o cumprimento de 49 mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As medidas cautelares foram executadas de forma simultânea no Distrito Federal e nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará.
As investigações apontam indícios de atuação de uma organização criminosa formada por agentes públicos e do setor privado. De acordo com os investigadores, o grupo atuava no direcionamento de repasses orçamentários a empresas subcontratadas irregularmente, sem a devida comprovação da entrega dos serviços acordados. As análises financeiras identificaram fluxos atípicos de centenas de milhões de reais entre os investigados, com manobras de dissimulação patrimonial e financeira programadas até julho de 2026.
A apuração policial mira a prática de diferentes ilícitos penais, incluindo:
- Peculato e desvio de verbas públicas;
- Falsidade documental;
- Lavagem de capitais;
- Organização criminosa;
- Fraudes a licitações e contratos públicos.
Inquéritos no STF e repasse sob suspeita
O projeto audiovisual já vinha sob escrutínio judicial e figura no centro de dois inquéritos distintos em tramitação no STF, relatados pelos ministros Flávio Dino e André Mendonça. Em março deste ano, Dino determinou que Mário Frias prestasse esclarecimentos detalhados sobre a destinação de R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil, entidade ligada à idealizadora da obra biográfica.
Na ocasião da determinação judicial, o parlamentar refutou qualquer irregularidade e sustentou que os recursos foram aplicados com finalidade estritamente social. Até o fechamento desta matéria, as defesas de Mário Frias e de Karina Gama não haviam se manifestado sobre as buscas realizadas nesta etapa da operação.
Fonte: ClickPB