PF deflagra Operação Linceu contra ex-servidor do STJ suspeito de repassar dados a advogado
Mandado de busca e apreensão foi cumprido em Brasília por ordem do STF; investigação apura vazamento de decisões e informações processuais.

A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (19) a Operação Linceu para apurar uma suposta violação de sigilo funcional praticada por Humberto Fontoura Pradera, ex-secretário de Tecnologia da Informação do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A ação cumpriu um mandado de busca e apreensão expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de um inquérito sobre lavagem de dinheiro que envolve o advogado Willer Tomaz e o senador Flávio Bolsonaro.
Vazamento de dados e registros internos
De acordo com o relatório da PF, Pradera teria facilitado o acesso indevido de Tomaz a informações confidenciais e a processos em tramitação na Corte. Entre os registros obtidos pelos investigadores, constam comunicações sobre designações internas de pessoal, fotografias de documentos exibidos em computadores institucionais e andamentos processuais detalhados — incluindo dados sobre o REsp 2122969, acompanhados de análises sobre a perda de eficácia de tutelas.
Pradera, que ocupava cargo comissionado e já havia atuado como assessor-chefe da Assessoria de Inteligência Artificial do STJ, foi exonerado na última sexta-feira (16) por determinação do presidente do tribunal, ministro Luís Felipe Salomão. A defesa do ex-servidor não foi localizada para comentar as investigações.
Linhas de apuração da Polícia Federal
Segundo os investigadores, a apuração sobre a conduta de Willer Tomaz desdobra-se em duas frentes fundamentais:
- Eixo financeiro: movimentação atípica estimada em cerca de R$ 130 milhões no Magnum Bank entre março e maio de 2025, envolvendo fracionamentos bancários, repasses a empresas, plataformas de apostas e vínculos com agentes públicos e políticos.
- Eixo jurídico: apuração de suposta interferência e obtenção privilegiada de votos, ementas e minutas de decisões em processos de expressivo impacto econômico no STJ e na Procuradoria-Geral da República (PGR).
Manifestação do STJ e resposta da defesa
Em nota oficial, o Superior Tribunal de Justiça confirmou o afastamento e a exoneração de servidores envolvidos, além da abertura de procedimentos administrativos disciplinares. A Corte informou ainda o endurecimento dos protocolos internos de segurança cibernética e o lançamento do Programa Confiança Digital para resguardar as bases de dados institucionais.
O advogado Willer Tomaz negou categoricamente qualquer irregularidade em sua atuação jurídica:
“O advogado Willer Tomaz nega categoricamente ter tido acesso irregular ou não autorizado a decisões judiciais ou a pareceres do Ministério Público Federal, bem como ter interferido em qualquer manifestação. As insinuações são falsas, configuram desinformação e revelam desconhecimento elementar, ou deliberada distorção, do funcionamento dos tribunais.”
Fonte: G1