Mendonça afasta cúpula da Polícia Federal em meio a impasse no STF; conheça o perfil dos delegados
Diretor-geral Andrei Rodrigues e o chefe de Inteligência Leandro Almada foram alvos de decisão monocrática após controvérsia sobre relatórios internos.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada. A Segunda Turma da Corte chegou a formar maioria para manter a determinação cautelar, contudo o julgamento foi paralisado após pedido de vista formalizado pelo ministro Gilmar Mendes.
Carreira e perfil de Andrei Rodrigues
Natural de Pelotas (RS) e graduado em Direito pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Andrei Rodrigues soma mais de 20 anos de trajetória na Polícia Federal. Antes de assumir o posto máximo da corporação, chefiou a Delegacia de Repressão a Entorpecentes em Manaus, a Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários em Porto Alegre e a divisão do Aeroporto Internacional de Brasília, além de ter atuado como oficial de ligação do órgão em Madri, na Espanha.
O delegado também consolidou experiência em segurança de autoridades e grandes eventos. Coordenou a proteção da ex-presidente Dilma Rousseff na campanha de 2010 e exerceu a função de Secretário Extraordinário de Segurança para Grandes Eventos durante a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos Rio 2016. Em 2022, chefiou a segurança da campanha eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva, sendo nomeado diretor-geral da instituição em 10 de janeiro de 2023 por indicação do então ministro da Justiça, Flávio Dino.
Sob sua condução, a corporação deflagrou ações de repercussão nacional, tais como:
- Operação Compliance Zero: com foco em apurar fraudes financeiras ligadas ao Banco Master;
- Operação Sem Desconto: voltada à repressão de deduções ilegais em benefícios do INSS;
- Operação Overclean: apuração sobre desvio de emendas parlamentares, corrupção e fraudes licitatórias.
Trajetória de Leandro Almada
À frente da Diretoria de Inteligência Policial desde dezembro de 2024, Leandro Almada comandava uma das estruturas mais sensíveis e estratégicas da instituição. Formado em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) em 1995, ingressou na Polícia Federal em 2008 após atuar por uma década como delegado da Polícia Civil de Minas Gerais.
Na PF, Almada liderou as superintendências regionais do Amazonas, da Bahia e do Rio de Janeiro. No estado fluminense, participou diretamente das apurações dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Em 2020, exerceu o cargo de diretor de Operações do Ministério da Justiça, período em que a pasta era chefiada pelo próprio André Mendonça, durante a gestão de Jair Bolsonaro.
Origem da decisão e relatório contestado
A medida determinada por Mendonça ocorre após o ministro Alexandre de Moraes submeter ao STF um documento de inteligência da corporação para solicitar investigação contra o colega de Corte, no bojo do inquérito das fake news. A iniciativa gerou intervenção do presidente do STF, Edson Fachin, que retirou a peça daquele procedimento e exigiu manifestação formal dos envolvidos.
Ao despachar o afastamento e determinar que a Corregedoria da PF instaure apuração disciplinar sobre a conduta de Rodrigues e Almada, Mendonça contestou a validade técnica e jurídica das informações produzidas:
"'Documento' é apócrifo, sem timbre ou qualquer outro símbolo gráfico capaz de lhe empregar o mínimo grau de legitimidade e confiabilidade, inviabilizando qualquer conferência quanto à sua autoria e data de elaboração", destacou o ministro em sua manifestação judicial.