Política

Lula diz que Trump age como imperador e cogita reciprocidade em impasse sobre tarifas

Em entrevista nos Estados Unidos, presidente brasileiro defendeu negociação tarifária, abordou as eleições de 2026 e criticou ação militar na Venezuela.

Por Redação •
Lula diz que Trump age como imperador e cogita reciprocidade em impasse sobre tarifas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a fazer duras críticas à condução da política externa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Durante entrevista coletiva concedida à imprensa internacional nesta segunda-feira (21), o chefe do Executivo brasileiro declarou que o líder norte-americano “age como um imperador”, mas enfatizou que a prioridade diplomática de Brasília é buscar o entendimento e evitar a escalada de tensões gerada pelo aumento de tarifas comerciais sobre produtos brasileiros.

Negociação tarifária e reciprocidade

Segundo Lula, o governo federal pretende esgotar todas as frentes de negociação com a Casa Branca antes de adotar medidas mais enérgicas. Contudo, caso as conversas bilaterais não avancem, o Brasil não hesitará em recorrer aos instrumentos da Lei da Reciprocidade Econômica, recentemente aprovada pelo Congresso Nacional.

“Eu não pretendo entrar em guerra tarifária nem com os EUA e nem com ninguém, eu quero negociar”, declarou Lula.

Caso o impasse permaneça sem solução pela via diplomática, a equipe econômica brasileira iniciará um mapeamento minucioso dos bens importados dos Estados Unidos que poderão sofrer sobretaxas proporcionais como forma de contrapartida comercial.

Eleições de 2026 e relações diplomáticas

Questionado sobre as Eleições de 2026, Lula afirmou esperar que não ocorra nenhuma ingerência de Washington sobre a soberania das urnas no Brasil. O presidente relatou ter abordado o assunto diretamente com Trump, que teria assegurado não ter intenção de intervir no processo eleitoral brasileiro. Apesar disso, Lula expressou cautela em relação ao secretário de Estado, Marco Rubio, apontando sua interlocução estreita com expoentes da oposição bolsonarista.

Ainda durante a entrevista, o presidente dirigiu duras críticas ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL), a quem rotulou como “traidor da pátria”. Lula mencionou a presença de condenados e foragidos da Justiça brasileira em solo norte-americano e cobrou investigações sobre a origem dos recursos utilizados para financiar a cinebiografia “Dark Horse”, obra cinematográfica dedicada à trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Crise na Venezuela e agenda na ONU

No cenário geopolítico regional, Lula qualificou como grave a intervenção militar dos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolás Maduro em janeiro, enfatizando que a ação feriu a soberania venezuelana. O presidente defendeu a convocação célere de novas eleições diretas no país vizinho, que atualmente é chefiado em caráter interino pela ex-vice-presidente Delcy Rodríguez.

Em solo norte-americano para participar da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, Lula cumpre uma série de agendas multilaterais. O início do debate geral entre chefes de Estado e de governo ocorre nesta terça-feira (22), data em que o mandatário brasileiro fará o tradicional discurso de abertura reservado à diplomacia do país.

Fonte: Fonte83