Política

Cientista político analisa perfil de Lula e defende controle estatal em áreas estratégicas

Em análise sobre os rumos econômicos do país, professor Gonzaga Junior classifica gestão petista como de centro e defende a soberania sobre petróleo e energia.

Por Redação •
Cientista político analisa perfil de Lula e defende controle estatal em áreas estratégicas

A eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reaqueceu o debate em torno do modelo econômico e do grau de intervenção do Estado em áreas estratégicas. Em análise apresentada nesta segunda-feira (26), o professor e cientista político Gonzaga Junior avaliou os rumos da atual gestão e classificou as diretrizes petistas como mais alinhadas ao centro do que a uma esquerda radical.

“Veja só uma coisa em que sempre insisto: o presidente Lula, embora esteja em um partido de esquerda, tem uma política pública e uma forma de governar que, na minha avaliação, são de centro, próximas da direita clássica social-democrata”, destacou o docente.

Estrutura de mercado e defesa da soberania

De acordo com o cientista político, os governos conduzidos pelo PT preservaram a lógica capitalista, sem promover rupturas estruturais no funcionamento do mercado brasileiro. Gonzaga Junior observou que a atual administração não revogou privatizações consolidadas na gestão de Jair Bolsonaro (PL), embora defenda que o controle estatal seja indispensável em segmentos fundamentais.

“Na minha percepção, deveria ter havido reestatização em determinadas áreas, e acho que isso é necessário. Aquilo que tem relação com a segurança nacional e a soberania nacional, por exemplo, energia, é estratégico. Não se privatiza petróleo, gás ou energia; é preciso qualificar os serviços e entregá-los em melhores condições”, sustentou.

Presença estatal e concessões

Para ilustrar as contradições do cenário nacional, o analista citou a presença de companhias públicas estrangeiras gerindo concessões no Brasil, como a espanhola Aena, concessionária do Aeroporto Internacional Castro Pinto, na Região Metropolitana de João Pessoa. Para ele, a discussão sobre o papel público deve priorizar a geração de renda, a capacidade de investimento e a proteção de patrimônios vitais.

Desafios e serviço público

Ao projetar os desafios das forças progressistas, Gonzaga Junior ressaltou a importância de valorizar o serviço público e assegurar maior protagonismo popular nas decisões econômicas estratégicas, em meio a um debate nacional polarizado sobre as funções do Estado.

Fonte: Fonte83