Afastamento de prefeito de Caaporã gera questionamentos sobre elementos de investigação
Apuração aponta que vídeo com dinheiro teria sido gravado antes da posse de Chico Nazário, enquanto defesa alega transação imobiliária.

O afastamento do prefeito de Caaporã, Chico Nazário, no âmbito da Operação Purgatório, segue repercutindo no cenário político paraibano e levantando questionamentos sobre a consistência dos elementos utilizados pelos investigadores para fundamentar a medida cautelar.
Cronologia do vídeo e buscas do Gaeco
Um dos pontos centrais da controvérsia envolve a datação de uma gravação em vídeo na qual o gestor aparece recebendo um pacote de dinheiro. De acordo com os debates jurídicos e públicos em torno do caso, o registro teria sido feito em 2024, em período anterior à sua posse como chefe do Executivo municipal. O intervalo temporal suscita dúvidas sobre a correlação direta entre o episódio pretérito e as supostas irregularidades em contratos administrativos firmados durante a atual gestão.
Também repercutem os mandados de busca e apreensão executados pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) na sede da Prefeitura de Caaporã e na residência oficial do prefeito. Interlocutores ligados ao caso pontuam que o material recolhido nas diligências não teria trazido evidências cabais ou flagrantes imediatos dos delitos atribuídos ao gestor na representação inicial.
Argumentos da defesa e foco da operação
A defesa de Chico Nazário afirma veementemente que a quantia registrada na filmagem decorre de uma transação imobiliária particular referente à venda de um terreno de propriedade do gestor antes de assumir o mandato. Segundo os advogados, trechos finais da própria gravação mencionam procedimentos e trâmites em cartório para formalizar a transferência do imóvel.
A Operação Purgatório foi deflagrada para apurar supostas fraudes em contratações públicas e dispensas indevidas de licitação ligadas à prestação de serviços de coleta de resíduos sólidos. As apurações estimam um dano potencial superior a R$ 2 milhões aos cofres do município de Caaporã.
Fonte: Fonte83